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A indústria automobilística possui um objetivo e um caminho claramente definido, a incorporação de tecnologias cada vez mais verdes. No topo desse tipo de tecnologia estão os carros elétricos como a opção mais limpa e mais eficiente para o futuro do mercado. Porém, ao contrário do que muitos esperavam, essa grande revolução está vindo da China e não de outros países que já possuem tradição no mercado automobilístico.

O principal nome quando falamos em carros elétricos provavelmente é a Tesla, empresa fundada pelo milionário Elon Musk. E a marca tem um bom número de vendas, mas não no mercado ocidental e sim no mercado oriental, onde os modelos Tesla estão entre os 10 mais vendidos na China.

Apenas em 2017 foram vendidos mais de 1,2 milhão de carros elétricos em todo o planeta. Desse montante, quase 600 mil foram para o mercado chinês. Esse não é o único valor interessante, já que isso representa um crescimento de 53% de vendas em comparação a 2016. Ou seja, recentemente houve uma mudança significativa na forma de comprar do mercado chinês para favorecer os carros elétricos, comumente chamados de “EV” ou carros eletrificados.

A estimativa é que esse ano feche com um número de mais de 1 milhão de vendas em veículos elétricos e o governo estima que os carros EV serão a futura frota do país, com 2 milhões de unidades vendidas por ano em 2020 e a proibição completa dos carros a combustão até 2040.

A presença desses carros não é pequena, se misturando perfeitamente entre os milhões de outros veículos nas estradas das províncias e cidades chinesas. Ao contrário dos chamativos Tesla, os carros elétricos produzidos na China mesclam com os comuns, se diferenciado apenas pela falta de barulho e uma luz azul com as letras “EV” na carroceria.

Por que a China está se tornando a líder mundial em carros elétricos?

O fato de a China estar se tornando o país com o maior número de carros elétricos do mundo tem muito a ver com uma mudança no pensamento geral da política do país e com as facilidades para o desenvolvimento da indústria.

Até pouco tempo atrás não eram incomuns notícias do nível de poluição na China, no quanto de energia baseada em carvão era consumida e na péssima qualidade de ar das cidades, até mesmo as pequenas.

Enquanto isso ainda é uma realidade e o país ainda sofre com esses problemas, de uns tempos para cá estão sendo tomadas novas atitudes em relação a poluição. Por lá já foi criada a maior usina solar flutuante do mundo e a preocupação com o meio ambiente também é constante.

Por causa do crescimento do número de veículos, que prejudicam bastante a qualidade do ar, existem rodízios de placa em Pequim e Tianjin, bem similar com o que temos em São Paulo.

Além disso, nas duas grandes cidades há um limite de 100 mil emplacamentos por ano. Ou seja, depois que 100 mil carros forem emplacados na cidade, ninguém mais pode “comprar carro novo”.

Essas limitações não são colocadas nos carros elétricos. Como o número de habitantes da China e o número de carros é cada vez maior, o mercado doméstico está optando pelos carros EV para evitar as tais restrições.

Existe também uma facilidade por parte do governo, que incentivou diversas fabricantes, chinesas ou não, a fabricar carros híbridos e elétricos no mercado chinês. A Tesla está tentando levar uma montadora para a China para se beneficiar desse apoio estatal.

A facilidade para a produção dos veículos unida à vontade de mudar o cenário ecológico do país e a busca por facilidade de locomoção contribuíram para que o mercado de elétricos ganhasse força por lá.

Como os carros elétricos chineses podem afetar o mercado mundial

Todo o impacto do mercado de carros elétricos até o momento aconteceu em nível doméstico. Os carros elétricos estão populares e possuem acessibilidade por lá, mas isso ainda não reflete no mercado externo.

Porém, tal como foi com os painéis solares e a iluminação com LED, quanto mais se é produzido, mais o custo de produção diminui, e em ambos os exemplos a China teve papel importante para que isso ocorresse. Isso acontece porque mais fábricas surgem para suprir a demanda, além do conhecimento e especialização das montadoras facilitar o processo.

Como sabemos, a China não tem um interesse exclusivo no mercado interno. As marcas também desenvolvem para o mercado externo, como aconteceu com os carros chineses que começaram a fazer sucesso no mercado europeu e brasileiro.

Essa tática vai ser replicada com os carros elétricos que estão sendo fabricados por lá. Certamente, por causa da alta demanda que já está acontecendo no mercado interno, os sedãs de marca chinesa vão chegar no Brasil e em outros países muito mais baratos que os modelos da Tesla e mais baratos que o Nissan Leaf, que facilmente ultrapassam o valor de 30 mil euros.

Modelos de carros elétricos chineses e sua competitividade de mercado

Os modelos de carros chineses, assim como os carros elétricos fabricados por montadoras de outros países, ainda possuem um valor elevado em relação aos motores de combustão. Porém, os modelos asiáticos ainda contam com valor mais baixo do que outras gigantes do mercado internacional.

Por exemplo, o BYD Qin PHEV, na versão totalmente elétrica, é o carro EV mais vendido na China considerando o primeiro semestre de 2018. O seu valor está por volta dos 21.000 Euros. Um valor alto para carros comuns, porém, se comparamos ao Nissan Leaf e ao Tesla Model 3, 2 dos elétricos mais populares do mundo, há uma diferença de quase 10 mil Euros. O Leaf está disponível a partir de 33.000 Euros e o Model 3 por 34.000.

Até mesmo o JAC iEV S/E, um pouco mais caro, possui um valor mais baixo que os modelos da Tesla e da Nissan, apresentando um preço de 27.000 Euros.

Um detalhe interessante é que o iEV S/E é um retrofit elétrico de um modelo mais antigo da JAC, outra tendência que pode acontecer aqui no Brasil uma vez que a tecnologia de EVs se torne mais acessível.

Com a crescente popularidade dos carros chineses no mercado brasileiro, não vai demorar para que a gente comece a ver também um crescimento nos modelos aqui no Brasil.